Psicoterapia para enxaqueca

A Terapia Cognitiva Comportamental pode ser uma grande aliada no tratamento da enxaqueca e outras cefaleias, dores de cabeça

Estudos têm demonstrado a eficácia da terapia cognitiva como tratamento para esquizofrenia, transtorno bipolar, dor crônica, transtorno do estresse pós traumático, disfunção sexual, TOC, problemas de relacionamento e outros.

A terapia cognitiva tem sido adaptada para diferentes populações desde crianças pré-escolares até idosos, casais, família e grupo. É uma forma de psicoterapia que enfatiza a importância do papel do pensamento sobre as nossas emoções, sensações físicas e comportamentos. Estudos revelaram que certos pensamentos e figuras mentais ( imagens ) automaticamente acompanham as emoções de ansiedade, medo, tristeza, raiva, ciúme, etc .

Através da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), você pode aprender a identificar esses tipos de pensamentos e avaliar o quanto eles são válidos ou verdadeiros. Quando mudar gradativamente seus erros de pensamentos para uma direção mais realista, suas emoções negativas, como a ansiedade, raiva, tristeza, diminuirão.

Embora seus pensamentos e imagens possam parecer plausíveis e razoáveis, eles podem não ser. Porque você pode estar propenso à ansiedade ou tristeza, ou outra emoção negativa, você pode estar aceitando pensamentos irreais tão facilmente quanto pensamentos realistas tal como “o telefone está tocando, eu devo atendê- lo”…

A Terapia Cognitivo-Comportamental pode auxiliá-lo a educar seus pensamentos para um enfoque mais realista. Seu terapeuta irá ajudá-lo a usar essas técnicas e aliviar as emoções negativas, como a ansiedade. Você irá ensaiar essas técnicas na terapia e em casa para que você possa contar com elas quando estiver sozinho. A Terapia Cognitivo-Comportamental baseia-se na pressuposição embasada cientificamente de que as reações emocionais e comportamentais são aprendidas. Portanto, o objetivo da terapia é ajudar o indivíduo a desaprender essas reações indesejáveis e aprender uma nova maneira de reagir.

Se você está buscando este tipo de informação, este pode ser um momento muito especial, apesar de às vezes, ter sido impulsionado por um sofrimento. Esta pode ser uma oportunidade rica de crescimento e de mudança para uma vida mais feliz!

Estabelecer objetivos estimula-o à mudança. Se você tem em mente uma imagem clara de como gostaria que sua vida fosse se estivesse livre das emoções negativas, trabalhe nesta direção. Divida suas idéias com seu terapeuta para que ele possa ajudá-lo a alcançar suas metas.

Lembre-se que você pode sentir-se melhor. O esforço é necessário para uma mudança significativa acontecer e existem técnicas que podem facilitar muito este processo. Você pode ter estado preso a estas emoções negativas há muito tempo. Serão necessários tempo e trabalho para isolar velhos padrões de pensamento e desenvolver maneiras de neutralizar e modificá-los.

Pensmentos influenciam emoções

O modelo cognitivo baseia-se na hipótese de que os pensamentos automáticos influenciam as emoções.

O conceito central do modelo cognitivo é que não é a situação em si que determina como as pessoas se sentem, e sim o modo como percebem e interpretam as situações que influenciam as emoções.

Os pensamentos automáticos disfuncionais parecem surgir espontaneamente, não sendo resultado de reflexão; são breves e normalmente aceitos como verdade, sem reflexão ou avaliação. Podem ter sido desencadeados por um desafio imediato: uma prova, um evento social, uma entrevista para emprego, ou podem estar relacionados com a possibilidade de um evento distante, como casar ou divorciar, sofrer um ataque cardíaco ou acidente, ou fracassar em sua carreira. Se eles forem distorcidos e irracionais, então interferem na habilidade do paciente de atingir sua meta.

É mais fácil perceber a emoção decorrente do pensamento automático. Dificilmente as pessoas refletem sobre o que pensam, simplesmente pensam de maneira automática e os pensamentos muitas vezes, podem ser distorcidos, falsos e irreais.

Você pode aprender a identificar os pensamentos automáticos, observando as mudanças nas emoções. Se a interpretação errada é corrigida, isto acarretará em uma melhora do humor.

Os pensamentos também influenciam as sensações físicas e conduzem a um comportamento.

Dr. Aaron Beck , o principal responsável pela fundamentação empírica e conceitual da TC, dá um exemplo de como diferentes pensamentos podem influenciar emoções, sensações físicas e comportamentos: uma pessoa sozinha em casa no meio da noite escuta um barulho no outro quarto. Se diante desta situação, ela pensar “Tem um ladrão no quarto” (PENSAMENTO), vai sentir-se ansiosa (EMOÇÃO), provavelmente o coração vai disparar ou as mãos tremerem (SENSAÇÃO FÍSICA) e comportar-se de um modo para minimizar o perigo, se escondendo ou telefonando para a polícia (COMPORTAMENTO).

Se diante da mesma situação a pessoa pensar “A janela está aberta, o vento derrubou alguma coisa”(PENSAMENTO), então, não sentiria medo(EMOÇÃO) e o comportamento seria diferente, fechando calmamente a janela e voltando a dormir (COMPORTAMENTO).

A Terapia Cognitivo-Comportamental tem um tempo limitado: a maioria dos indivíduos são tratados em um programa de 15 sessões. Não significa que é breve ou a curto prazo, mas estabelece-se objetivos para este número de sessões, depois disso reavalia-se as metas e podem ser estabelecidos objetivos para um novo programa.

Terapia cognitivo comportamental para enxaqueca e dor de cabeça

Programa de 15 sessões dependendo da gravidade

A TCC para pacientes com enxaqueca episódica ou crônica, geralmente envolve também a ansiedade e depressão.

E é composta por 3 elementos:

  • psicoeducação,
  • reestruturação cognitiva e
  • técnicas comportamentais para controle da dor.

1.Psicoeducação:

É a orientação sobre os possíveis fatores desencadeantes da crise de dor: que além dos fatores alimentares, ambientais, hormonais, muitas vezes há fatores emocionais, como ansiedade, estresse, medo, irritação/raiva, preocupação.

Geralmente são indivíduos com padrões perfeccionistas, que não pedem ajuda, que se sobrecarregam, e que a dor vem como um sinal de “pare!”

O paciente mantém um diário da dor, onde registra a freqüência, duração e intensidade da dor, para ele compreender melhor suas crises.

2.Reestruturação cognitiva

“A dor é uma experiência sensitiva e emocional desagradável, que é associada ou descrita em termos de lesões teciduais”.IASP (Merskeyetal, 1979)

A interpretação individual da sensação dolorosa é baseada em aprendizado anterior, contexto sociocultural, circunstâncias de vida atuais e disponibilidade de recursos de enfrentamento (internos, sociais, religiosos e financeiros). Interpretações negativas do significado da dor (“Será que eu terei que interromper tudo o que eu estava fazendo quando começar a dor?”, “Será que a dor vai continuar e tornar-me um inválido?”), crenças (“estou arruinando a minha família”, “não posso fazer mais nada”), e atitudes (” Eu não deveria ter que viver deste jeito”) contribuem para as emoções negativas (ansiedade, medo, raiva e desespero) e comportamento (“Tenho que parar tudo o que estou fazendo, senão minha dor vai piorar”).

A catastrofização tem sido estudada como o processo de pensamento que mais influencia a percepção da dor. Os indivíduos apresentam uma tendência a exagerar o valor da ameaça ou a gravidade das sensações de dor.

Sua atenção seletiva nas sensações corporais, como cefaléias, conduz a pensamentos automáticos de ameaça iminente (“E se eu tiver um tumor cerebral”, “E se eu morrer?”). São pensamentos ameaçadores que influenciam a ansiedade em relação à saúde e suas correspondentes sensações físicas (por exemplo, tensão muscular e dor), cognitivas (por exemplo, preocupações), afetivas (ansiedade) e comportamentais (busca de informação médica tranqüilizadora). Esta cadeia de elementos provê mais combustível para os pensamentos de ameaça, conduzindo a um círculo vicioso, culminando em piora do quadro da ansiedade e da cefaléia.

Em resumo, a ansiedade antecipatória pode criar um viés de atenção no perigo e iminência de ameaça (crise de enxaqueca), este foco em sensações corporais leva a vigilância exacerbada do próprio corpo, aumenta a percepção, que pode ser crucial para o desenvolvimento e manutenção da ansiedade e cefaléia. A expectativa excessiva de ter crise de enxaqueca pode exacerbar ou potencializar a próxima crise.

A Terapia Cognitivo-Comportamental parte do modelo cognitivo de que os pensamentos influenciam as emoções, as sensações físicas e comportamentos. É a identificação e reestruturação dos pensamentos distorcidos que influenciam a ansiedade e depressão e influenciam a sensação física da contratura muscular e dor. São utilizadas técnicas que possibilitem ao indivíduo a identificação e reformulação desses pensamentos, que terão reflexos sobre as emoções e podem alterar a vivência da dor, fazendo com que ela se torne suportável.

3.Técnicas comportamentais para controle da dor:

Alguns tipos de cefaléias são conseqüentes a contração muscular, onde a tensão emocional ocasiona, com freqüência, espasmos dos músculos da cabeça.

O treinamento de controle da dor possibilita ao indivíduo o aprendizado de técnicas que facilitem o alívio da dor, através de exercícios de respiração diafragmática e relaxamento muscular.

A modificação dos comportamentos relacionados à dor possibilitam minimizar o sofrimento relacionado à dor e preveni-la, através de planejamento e inclusão gradativa de atividades físicas, posturais e comportamentais na rotina.

A percepção e o significado da dor é modulado por aspectos cognitivos, emocionais e culturais, podendo alterar a experiência dolorosa.

Percepção da dor

A dor é uma “experiência sensitiva e emocional desagradável, que é associada ou descrita em termos de lesões teciduais” (Merskey, 1979). A dor aguda envolve emoções e estados como ansiedade, alerta e estresse, e a dor crônica, sofrimento e incapacidade(Melzacket al., 2001), que invariavelmente agravam a condição dolorosa.

A percepção e o significado da dor são modulados por aspectos cognitivos, emocionais e culturais, podendo alterar a experiência dolorosa. A intensidade e caráter da dor são também influenciados pelas experiências anteriores.

A atenção é um fator cognitivo importante, a concentração em uma situação potencialmente dolorosa pode levar o indivíduo a sentir dores mais intensas.E a distração pode diminuir ou abolir a dor.

As emoções desagradáveis podem ser consideradas como defesas semelhantes à dor ou ao vômito: “… assim como a dor evoluiu para nos proteger de danos teciduais imediatos ou futuros, a capacidade de ansiedade evoluiu para nos proteger contra futuros perigos ou outros tipos de ameaças” (Nesse, Willians, 1997).

Pensamentos que influenciam a dor

A apreensão ansiosa associa-se a um estado de elevado afeto negativo e superexcitação crônica, uma sensação de incontrolabilidade e uma concentração da atenção sobre estímulos relativos à ameaça.

As preocupações excessivas características da ansiedade são definidas como “uma cadeia de pensamentos e imagens carregados de afeto negativo e relativamente incontroláveis. O processo da preocupação representa uma tentativa de solução mental de problemas sobre um tema cujo resultado é incerto, embora sugira a possibilidade de uma ou mais conseqüências negativas”. Portanto, a preocupação consiste em pensamentos contínuos sobre o perigo futuro que são experimentados como aversivos e relativamente incontroláveis.

Os temas de preocupação em pacientes com Transtorno de Ansiedade Generalizada, geralmente são doença, saúde e ferimentos.

Esta ansiedade e preocupações com saúde podem ser discutidas conforme algumas estratégias cognitivo-comportamentais.

O conceito de amplificação é útil para compreender as condições psicológicas e físicas caracterizadas por queixas somáticas desproprorcionais em relação à condição orgânica existente. Dentre as sensações sujeitas a amplificação estão as cefaléias, que podem ser experimentadas como mais intensas, nocivas e ameaçadoras. A amplificação caracteriza-se por 1) uma propensão a vigiar em excesso o estado corporal, que está relacionada a um aumento da auto-avaliação e da focalização da atenção nas sensações corporais incômodas; 2) uma tendência a selecionar e centrar-se em determinadas sensações e 3) uma inclinação a considerar tais sensações como perigosas e indicadoras de perigo.

As interpretações catastróficas dos sintomas físicos podem ser uma percepção errônea de sinais corporais não patológicos como sinal de doença orgânica grave. O indivíduo desenvolve um viés ao dirigir sua atenção seletivamente para a informação que confirme a idéia de doença e que ignore aquela que evidencia seu bom estado de saúde. A ativação de crenças problemáticas provoca o surgimento de imagens desagradáveis e pensamentos automáticos negativos, cujo conteúdo implica numa interpretação catastrófica das sensações ou sinais corporais.

Dr Beck refere-se à catastrofização, como distorção cognitiva presente no indivíduo com transtornos de ansiedade. Os indivíduos ansiosos podem interpretar sensações somáticas normais como distorções catastróficas. A catastrofização tem sido estudada como o processo de pensamento que mais influencia a percepção da dor. Os indivíduos apresentam uma tendência a exagerar o valor da ameaça ou a gravidade das sensações de dor.

Sua atenção seletiva nas sensações corporais, como cefaléias, conduz a pensamentos automáticos de ameaça iminente (“E se eu tiver um tumor cerebral”, “E se eu morrer?”). São pensamentos ameaçadores que influenciam a ansiedade em relação à saúde e suas correspondentes manifestações fisiológicas (por exemplo, tensão muscular e dor), cognitivas (por exemplo,preocupações), afetivas (por exemplo,ansiedade) e comportamentais (por exemplo,busca de informação médica tranqüilizadora). Esta cadeia de elementos provê mais combustível para os pensamentos de ameaça, conduzindo a um círculo vicioso, culminando em piora do quadro da ansiedade e da cefaléia.

Existe uma série de fatores que age perpetuando a preocupação com a saúde. De acordo com este modelo, podemos discutir que qualquer percepção da cefaléia pode ser um estímulo desencadeante, que, ao ser percebido como ameaçador, provoca no indivíduo temor e apreensão. Esta reação precipita uma série de processos fisiológicos, cognitivos e comportamentais. Primeiro, o aumento da excitação fisiológica implica em um aumento das sensações somáticas mediadas pelo sistema nervoso autônomo, o que pode fazer com que o indivíduo as perceba como uma patologia orgânica grave. Segundo, o fato de estar hipervigilante em relação à qualquer sinal de cefaléia e interpretá-lo como sinal de quem sofre de uma doença grave. Por fim, o comportamento de busca de informação tranqüilizadora de fontes médicas ou não médicas pode também contribuir para aumentar a preocupação com saúde.

Em resumo, a ansiedade antecipatória pode criar um viés de atenção no perigo e iminência de ameaça (crise de enxaqueca), este foco em sensações corporais leva a hipervigilância, aumenta a percepção, que pode ser crucial para o desenvolvimento e manutenção da ansiedade e cefaléia.A expectativa excessiva de ter crise de enxaqueca pode exacerbar ou potencializar a próxima crise.

Um estudo brasileiro sobre a prevalência da enxaqueca entre funcionários de um hospital universitário, referiu que mais de 40% dos enxaquecosos relatou medo de ter outra crise de enxaqueca e este medo é suficiente para eles pensarem sempre na cefaléia. A ansiedade está presente durante a crise de enxaqueca e também nos períodos intercríticos.

Os portadores de enxaqueca podem desenvolver estratégias comportamentais para lidar com a dor da cefaléia, como um comportamento evitativo, como o consumo de analgésicos e a utilização de serviços de saúde na tentativa de evitar a cefaléia. Porém, a conseqüência do uso excessivo de analgésicos pode ser a transformação da enxaqueca episódica em cefaléia crônica diária.

Exemplos de pensamentos que influenciam a dor

Pensamento Sentimento/Emoção Sensação física
Tenho que fazer tudo rápido.
Não vai dar tempo.
ANSIEDADE TENSÃO MUSCULAR
DOR DE CABEÇA
Eu não vou conseguir.
Não vai dar certo.
ANSIEDADE DOR
As pessoas vão me criticar.
Eu vou errar.
Não vou fazer certo.
ANSIEDADE DOR
Se não for perfeito, não adianta.
Tenho que fazer tudo perfeitamente.
ANSIEDADE DOR
Não posso mostrar fraqueza.
Tenho que ser forte e fazer tudo sozinho.
ANSIEDADE DOR
Vai acontecer alguma coisa de ruim com minha família.
Eles vão ser assaltados.
Eles vão ser atropelados.
ANSIEDADE DOR
Eu vou morrer.
Eu vou ser atropelado, assaltado, perder o emprego.
A dor de cabeça deve ser um tumor e vou morrer.
Minha saúde é ruim.
ANSIEDADE DOR
Pensamento Sentimento Sensação física
Meu marido/esposa/ filho está fazendo uma coisa errada.
Ele é mal.
Ele é bagunceiro.
Ele é mentiroso.
Ele é burro.
Ele não faz nada direito.
RAIVA (ou IRRITAÇÃO) TENSÃO MUSCULARDOR DE CABEÇA
Ele está fazendo isso só para me irritar. Só porque sabe que eu não gosto. RAIVA DOR
Ele deveria ter feito…
Ele não deveria ter feito…
As coisas devem ser do meu jeito.
As pessoas tem que fazer as coisas como eu acho que devem ser.
RAIVA DOR
É injusto. Ele está me mal tratando, me agredindo, me fazendo mal. Eu sou vítima. RAIVA DOR

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