Mais sal, mais dor de cabeça

Dor de cabeça relacionada a maior ingesta de sal

Dor de cabeça relacionada a maior ingesta de sal.

Dr Mario Peres, médico neurologista, escreve sobre a recente pesquisa que mostrou relação do consumo de sal com mais dor de cabeça.

Estudo publicado no British Medical Journal (BMJ) mostra o efeito do consumo do sal e a ocorrencia de dores de cabeça. Liderado pelo Dr. Lawrence Appel, diretor do Welch Center for Prevention, Epidemiology and Clinical Research na Johns Hopkins, Baltimore, a pesquisa mostra que pessoas que ingerem 8 gramas de sal por dia tem 35% mais dor de cabeça do que quando ingerem 4 gramas.

Para acessar o estudo “Effects of dietary sodium and the DASH diet on the occurrence of headaches: results from randomised multicentre DASH-Sodium clinical trial” acesse o link http://bmjopen.bmj.com/content/4/12/e006671.full

 

Foram  390 pessoas divididas na dieta DASH, rica em frutas, vegetais, laticinios, e pouco gordurosa ou dieta livre, o ideia dos autores era de verificar o efeito da dieta na hipertensão arterial. A diferença das duas dietas não foi significante em relação a dores de cabeça, mas o conteúdo de sal foi o que mostrou impacto.

Resta saber se diminuirmos o sal da alimentação pode melhorar as dores de cabeça das pessoas que sofrem com enxaqueca, cefaleia tensional ou outras dores de cabeça. Como a maioria das pessoas come acima do recomendado do conteúdo de Sódio (1,5 g ao dia), esta orientação pode ser útil para a maioria das pessoas. Especialistas podem incluir a diminuição do sal nos tratamentos da enxaqueca.

Esta pesquisa tem limitações pois não sabemos o tipo exato das dores de cabeça, se cefaleias do tipo tensional, enxaquecas, dores diarias ou infrequentes se alteraram da mesma forma com a mudança da ingesta de sal.

 

 

 

Otimismo, Pessimismo, inflamação e dores de cabeça

Uma das pesquisas mais importantes na área da dor nos últimos anos. Um dos maiores estudiosos do efeito placebo, o italiano Fabrizio Benedetti, publica na revista PAIN ((155) 2014, pag 921-928) um excelente artigo: ” Nocebo and placebo modulation of hypobaric hypoxia headache involves
the cyclooxygenase-prostaglandins pathway”.

Dois grupos de estudantes que iam para um acampamento de pesquisa na montanha a 3500 metros de altitude foram avaliados. De 121 estudantes, 36 manifestaram preocupação com a ocorrência de dor de cabeça na altitude e apresentaram uma expectativa negativa, antecipação de que teriam dor de cabeça na montanha. Sabemos que aumentam mesmo as chances de cefaleia quanto maior a altitude que estamos. Os que não se preocuparam mas posteriormente tiveram dor de cabeça foram comparados.

A pesquisa descobriu que a expectativa negativa aumenta os níveis de substâncias inflamatórias, prostaglandinas e tromboxanas, sugerindo aumento da atividade da ciclooxigenase nestes pacientes, além de aumentar também a chance da dor de cabeça, cefaleias aparecerem. Já se sabia que o efeito nocebo, efeito gerado pela expectativa negativa, era modulado pelas substâncias opióides, endocanabinóides e colecistoquininas.

Esta pesquisa confirma a ideia de que o pessimismo, que a expectativa negativa aumenta a chance de ter dores no corpo e dores de cabeça, e que estes mesmos pensamentos negativos aumentando os níveis de substâncias inflamatórias.

Provavelmente a reversão destes pensamentos por outros que ressaltem o otimismo, a expectativa positiva, a fé, possam melhorar os estados de dor!

Chegará o dia em que ao invés de tomar um anti-inflamatório faremos uma meditação ou oração e a dor desaparecerá?

Texto escrito pelo Dr Mario Peres, médico neurologista.

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Para Marcar consulta com Dr Mario Peres, médico neurologista, CRM-SP 86494 ligue para (011) 3285-5726 para consultas no Centro de Cefaleia ou (011) 2151-0110 para consultas no Hospital Albert Einstein, sala 110.

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