Estudo epidemiológico de cefaleia crônica diária no Brasil

Estudo epidemiológico de cefaleia crônica diária no Brasil
Queiroz LP, Peres MFP, Kowacs F, Piovesan EJ,Ciciarelli MC, Souza JA, Zukerman E

Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC; Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP; Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP; Sociedade Brasileira de Cefaléia

Objetivos:

Os objetivos deste estudo são estimar a prevalência no último ano de cefaléia crônica diária (CCD), bem como estimar a magnitude da associação de CCD com algumas características sócio-demográficas de uma amostra representativa de adultos da população brasileira.

Métodos:

Este é um estudo observacional, do tipo transversal, de base populacional. Foram entrevistados 3.848 indivíduos, aleatoriamente selecionados, de 18 a 79 anos de idade, nas 27 unidades da federação. A coleta dos dados, via telefone, através de um questionário estruturado, foi feita por leigos previamente treinados. As taxas de prevalência foram ajustadas por sexo e idade. Estimativas de razão de prevalência foram calculadas com método de regressão de Poisson, ajustadas para sexo, idade, estado civil, escolaridade, tipo de trabalho, renda familiar, índice de massa corporal e realização de exercícios físicos regulares.

Resultados:

A prevalência no último ano de CCD foi de 6,9% (IC 95%: 6,1- 7,7%), sendo 9,5% em mulheres e 4,0% em homens. A prevalência foi maior (9,0%) na faixa etária de 30 a 39 anos. Dos indivíduos com CCD, 73,6% tinham cefaléia com características migranosas (migrânea e provável migrânea) e 23,6% com cefaléia do tipo tensional ou provável cefaléia do tipo tensional. CCD foi 2,4X mais prevalente em mulheres, 1,72X mais em desempregados, 1,63X mais em indivíduos com renda familiar de 10 ou mais salários mínimos, e 2X mais em pessoas que não fazem exercícios físicos regulares.

Conclusões:

Este é o primeiro estudo nacional, de base populacional, da epidemiologia da CCD no Brasil. A prevalência anual de CCD é de 6,9%. CCD é mais prevalente em mulheres, em desempregados, em indivíduos com alta renda familiar e nos sujeitos sem atividade física regular.

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