Acesso ao tratamento das cefaleias e conhecimento da doença na comunidade de Paraisópolis. CBCef Vitória – ES, 2009

Acesso ao tratamento das cefaleias primárias e conhecimento da doença nos moradores da comunidade de Paraisópolis – São Paulo

Autores: Mario Fernando Prieto Peres, Giancarlo Lucchetti, Eliova Zukerman

Universidade Federal de São Paulo e Hospital Israelita Albert Einstein

Introdução:

A cefaleia é uma das queixas mais comuns encontrada na atividade médica. Admite-se que cerca de 95% das pessoas têm ou terão um episódio de cefaleia ao longo da vida. Sendo assim, torna-se essencial o diagnóstico correto e tratamento adequado de tal condição. Os pacientes de classes sociais mais baixas, possuem uma dificuldade de acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde, que muitas vezes pode retardar a prevenção, terapêutica e informação sobre a doença.

Objetivos:

Objetiva-se com o presente estudo avaliar o acesso ao tratamento e conhecimento da doença nos moradores de uma região na cidade de São Paulo.

Metodologia:

Realizado estudo de cunho transversal nos moradores da comunidade de Paraisópolis. Por meio de agentes de saúde, os moradores foram convidados a preencher um questionário contendo dados sócio-demográficos, conhecimento sobre a própria doença, acesso ao tratamento público e particular, características da cefaleia e aspectos psicológicos.

Resultados:

Foram entrevistados 439 moradores, sendo 285 do sexo feminino; 195 (50,9%) parda; 340 (88,7%) com renda menor que R$ 1000,00 e 157 (40,9%) com escolaridade até 4 anos de estudo. Destes, 239 (54,4%) apresentaram algum tipo de cefaleia primária. Destes, 234 (97,9%) sabiam ou já ouviram falar sobre enxaqueca, mas apenas 5,4% ouviram falar o termo migrânea; 199 (83,3%) não sabiam qual era o tipo de cefaléia que possuíam. Dos pacientes, 116 (48,5%) já procuraram o pronto-socorro devido à cefaléia; porém apenas 10 (4,2%) estão atualmente fazendo tratamento regular, sendo que 226 (94,6%) relataram que fariam um tratamento para cefaléia se tivessem oportunidade.  Dos que procuraram um médico devido ao sintoma, 31 (36,0%) foram atendidos por médicos de família; 28 (32,5%) por neurologistas e 19 (22,0%) por clínicos gerais. Pelo menos 104 (43,5%) relataram já ter feito uma consulta particular.

Conclusão:

Os pacientes que utilizam o sistema único de saúde possuem barreiras no tratamento da cefaleia, utilizando-se de serviços de emergência, de profissionais não neurologistas ou até mesmo do setor privado, poucos estão tratando realmente a cefaleia. Devido as dificuldade de acesso a maioria não sabe qual o tipo de cefaleia que possui, mas tem o desejo de fazer um tratamento específico para essa condição. Poucas pessoas ouviram falar em migrânea.

Clique para acessar o poster:

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